terça-feira, 15 de abril de 2008

CRÍTICA DO LIVRO VITA


Recebi um belíssimo presente no início deste ano, pena que somente agora pude realmente interromper minha jornada de trabalho, respirar, e apreciar o presente. Trata-se de uma crítica do livro Vita - breves pensamentos sobre a vida e a morte, que lancei no final do ano passado, escrita pelo Lúcio Emílio em seu riquíssimo blog Penetrália. O artigo é, em verdade, um convite ao debate, com elogios dos quais não sou merecedor, e críticas que são bem-vindas por provocar o diálogo que move e faz renascer o espírito filosófico.

Não me surpreende que minha primeira crítica tenha comparado meu livro com o estilo de Nietzsche e que tenha respirado ali um ar pró-vindo do século XIX. Talvez este seja o século do qual mais me influencio, com o qual mais dialogo. A provocação da clonagem do estilo é bem humorada, bem informada, e alimenta uma boa discussão. Agradeço imensamente ao Lúcio por isso. Eu diria, no entanto, que Nietzsche não é a única influência na parte estrutural de meu livro. Incluiria aí um Schopenhauer, um La Rochefoucauld, um Pascal, um La Bruyère, talvez Heráclito e até mesmo o impressionante Aníbal Machado. Mas, digamos, meus escritores prediletos não escreveram apenas aforismos, nos legando um estilo que muitas vezes se apresenta ou experimenta outras tantas formas de expressão.

O estilo aforismático não foi escolhido devido à leitura desses grandes mestres da pena, mas sim pelo objeto do qual se escolheu tratar. Sempre me pareceu um contra-senso falar sobre a morte. Mas, digamos, esse problema não me deixou em paz um minuto sequer em minha formação filosófica. Não cabe aqui, nem mesmo cabe em mim, fazer uma auto-biografia, mas, digamos, esse é um problema que sempre habitou minha casa. Talvez eu tenha escolhido a filosofia, na insensatez da adolescência, apenas para lidar com o problema da morte. Talvez esta seja uma verdade para a qual ainda não abri os olhos. E talvez a morte tenha me conduzido ao contra-senso de não me calar diante dela, que insistiu em bater à porta de minha casa por três vezes. Não é o lugar nem a idade para uma autobiografia. Quero apenas com isso dizer que o tema não foi "escolhido" propriamente, mas talvez imposto pelas terríveis e admiráveis Euríneas, e o aforismo me pareceu ser o estilo mais apropriado pela recusa da linguagem conceitual ou sistemática, uma vez que entendo que a complexidade do tema não cabe nas roupagens de um conceito.

Meu caríssimo Lúcio Emílio pode aqui me dizer, e com razão, que essa tese é propriamente nietzscheana, uma vez que a preocupação com o modo de expressão esteve presente em toda a obra do filho do pastor alemão. Nietzsche teria escolhido o aforismo, por exemplo, em Humano, demasiado humano, numa tentativa de romper com a tradição filosófica mais sistemática e conceitual. Isso se recusarmos a tese de Eugen Fink que nos diz que ele só escreveu aforismos por que não tinha saúde para elaborar um texto de fôlego, devido às constantes crises de cefaléia causadas por sua doença (sífilis). Mas não me parece, contudo, que a originalidade seja algo possível ou mesmo desejável. O nietzscheano Heidegger nos legou um aforismo que carrego comigo, como se este aforismo revelasse para mim uma verdade na qual teimo em acreditar: Danken ist denken! Pensar é agradecer! E com isso entendo que qualquer consciência filosófica não surge do nada, não surge sem um diálogo com os grandes mestres e com os amigos, que sempre proporcionam a arte de pensar. E aqui faço um agradecimento público ao meu grande amigo Ramon Maia e ao brilhante (o blog Penetrália justifica o adjetivo) Lúcio Emílio. O primeiro encorajou-me ao debate, ao aceitar publicar meu livrinho; o segundo deu-a honra do debate.

Gostaria de fazer uma defesa do meu infortunado aforismo 144. Para tanto, cito o texto do Lúcio que já traz o pobre fragmento:







“O outro ponto problemático foram alguns elogios a Hitler no aforisma número 144:

'Comércio exterior. A Alemanha teve o seu Führer na desastrosa figura de Hitler, que era astuto, relativamente inteligente, mas não auto-suficiente: os Estados Unidos souberam tirar proveito deste fato, aumentando seu poder econômico sob as máscaras de sua propaganda anti-hitlerista e emprestando suas admiráveis maquininhas para a contabilidade e reconhecimento dos judeus (REIS, 2007, p. 79).'

Penso que Hitler foi notável unicamente em seu uso da razão instrumental, pois conseguiu controlar os impulsos de sua natureza para a destruição durante relativamente muito tempo, o tempo de sua carreira política: pior para a Alemanha. No fim das contas, fez com a Europa o que fez com sua prima Geli Raubal, quem sabe seu único amor heterossexual: levou-a ao suicídio. A Europa Unida deve a ele sua fraqueza, sua dependência em relação aos Estados Unidos.”





Aqui podemos ver a riqueza do estilo aforismático: ele pode ser lido de diversas perspectivas, não apenas de uma. Por isso tal estilo foi escolhido para se falar da vida e da morte. “O sentido se constrói pelo leitor”, dizia-me meu grande amigo e editor, Ramon Maia. E este sentido, o que vê no aforismo 144 elogios a Hitler, foi criado pela crítica do Lúcio. Vejamos se consigo contrapor a esse olhar um outro possível. Comércio exterior. Assim se intitula o aforismo, dizendo em seguida que Hitler foi “astuto”, a qualidade da raposa elogiada pelo divino Maquiavel, “relativamente inteligente”, o que não me parece propriamente elogioso e, finalmente, “não auto-suficiente”, o que leva as afirmações seguintes no aforismo. Mas, de quais afirmações se trata? O aforismo apenas aponta, parecendo ocultar alguma informação.

Sabemos hoje que, sobretudo com as afirmações de Edwin Black, que o Holocausto só foi possível, inteiramente, pela tecnologia criada por uma empresa americana, a IBM, que criou um sistema de cartões perfurados (que nós chamamos de “Hollerith” aqui no Brasil), usados pelo nazismo no reconhecimento e contabilidade dos judeus. O cartão continha o nome, o número da pessoa e um carimbo. É possível ver um destes cartões em um museu do Holocausto, em Washington. Os cartões possuíam de vinte a oitenta colunas em dez ou mais linhas, que possibilitavam uma grande diversidade de configurações. Para quê serviam estes cartões? Para o senso racial, classificando cada alemão quanto ao nome, raça, endereço, religião, cor, local do trabalho, avós, bisavós, etc. Enfim, o sistema desenvolvido pela IBM e vendido aos alemães possibilitou o reconhecimento de 6 milhões de judeus, aproximadamente. Sabemos hoje que a IBM tinha exclusividade a da produção e comercialização tanto do cartão quando da máquina que fazia operar o cartão. Sem esta máquina, o número de judeus reconhecidos não passaria de 500 mil.
Assim, o aforismo, de forma a deixar para o leitor a possibilidade do sentido, provoca o olhar sob diversos ângulos. “Mas, por que não se informou no livro Vita, o que foi dito acima?” Por aqui, meus caros, o texto assumiria um estilo jornalístico ou denunciativo, o que não é nem um pouco defendido por mim, em se tratando de um livro de aforismos. Espero que com isso eu tenha esclarecido o ângulo com o qual olho o meu próprio aforismo, convencido de que não admiro Hitler, nem mesmo pela arquitetura (no sentido literal) criada pelo odor cadavérico de sua vontade de dominação. O Holocausto é um dos momentos mais incompreensíveis de nossa história, uma loucura coletiva para a qual até mesmo a inteligência de Heidegger se manteve cego, no período em que foi reitor da universidade de Berlim.

No mais, acredito no velho ditado, que diz que “o advogado que faz sua própria defesa tem por cliente um idiota”. E cá estou eu, me defendendo uma interpretação possível. Mas, digamos, não é pela defesa que estou a escrever estas linhas, e sim para agradecer, embora tardiamente, a crítica ou homenagem que o Lúcio Emílio fez ao meu livro, cumprindo com um dos mais importantes mandamentos da vida colorida pela literatura ou pela filosofia. A crítica, dizia meu velho professor e mestre José Henrique Santos, não é apanágio de inimigos, mas é, antes de tudo, um dos deveres da amizade.

O blog Penetrália: http://penetralia-penetralia.blogspot.com/

A crítica do Lúcio:
http://penetralia-penetralia.blogspot.com/2007/12/clone-se-si-mesmo-ou-breves-consideraes.html
Sobre Edwin Black e as relações entre a IBM, O governo americano e o Holocausto, ver http://www.edwinblack.com/

quarta-feira, 26 de março de 2008

A arte da Solidão

Orquídia, óleo sobre tela, 2001, por Alexandre H. Reis

Ao convidar meus alunos de “Filosofia e Ética” a ouvir algumas lições de Sócrates, confrontei-me com uma sabedoria que se mostra demasiado simples: o que temos a aprender verdadeiramente com nós mesmos? O que tenho entendido, nestes primeiros dias de setembro, é que o retorno a si mesmo, o voltar o olhar para cada um de nós, é tarefa penosa que revela um bocado daquilo que sempre permanece esquecido em nosso dia-a-dia. Não compreendemos verdadeiramente quem somos se não experimentamos a solidão. E o que é mais difícil de afirmar é a necessidade de que devemos estar a sós em meio a uma multidão que cega nossos olhos para uma interioridade que, temo, está desaparecendo em meio a um mundo cada vez mais acelerado e mais convidativo para o entretenimento. Creio, assim, que o entretenimento é o grande flagelo de nossos tempos modernos. Com nossa inteligência dispersa em uma série de problemas sociais e de prazeres coletivos, acabamos de olhos bem fechados para nós mesmos.
Sócrates, o velho tagarela que sempre interrogava seus compatriotas sobre a verdade de seus conhecimentos, parece ter deixado algumas lições imprescindíveis para a verdadeira sabedoria: coloca-te sob suspeita! Mas, o que este duvidar de si mesmo pode nos dar? Quem está, hoje, dois mil e quatrocentos anos após a sua morte, disposto a abrir mão de todo prazer imediato, de todos os convites que o mundo moderno tem a nos ofertar, para se voltar para si mesmo e buscar, a partir de si, um conhecimento que seja ao mesmo tempo simples e revelador?
O nosso mundo parece ter transformado a arte em entretenimento: a arte já não é a revelação do espírito, e sim o seu mais fugaz passa-tempo. A música, que educada o espírito para o sentimento sublime, é hoje um barulho que agita o corpo, e torna a alma ainda mais estranha a si mesma. Nossa educação tem se tornado um treinamento que promete uma profissão, nada mais. Neste sentido, penso estarmos muito ocupados para compreender realmente o que Sócrates propunha: o conhecimento de si mesmo é a suprema tarefa capaz de libertar o homem de suas amarras sociais, capaz de libertá-lo da prisão das convenções sociais, esta falsa noção de verdade que tem se tornado a grande mentira das sociedades de massa. Rir de si mesmo, assim compreendo toda grande sabedoria. Mas o riso, insisto, este não se levar a sério, nos dá, primeiramente, a grande angústia que pode nos despertar para o pensamento. O riso nos dá, para além deste primeiro momento angustiante de se descobrir um ser vazio, toda possibilidade de alegria. É preciso, assim, inicialmente convidar-se a si mesmo para o debate, para a revisão dos próprios valores que guiam nossas ações, e, num segundo momento, quando se descobre a fragilidade de nosso próprio ser, enfrentar o mundo e suas mentiras para, no final, descobrir a verdadeira arte de se estar no mundo, a sublime e divina arte de sorrir!
Sócrates, se levado a sério, deixará cada um de nós confuso e em estado de perplexidade, e é aí que se dá o início de uma aventura que poucos hoje em dia se dispõem a buscar: a aventura do pensamento, a arte de pensar.

ÉLIDA, A DAMA DO MAR

Sempre acreditei que a vida seria impossível sem a arte, sem uma criação de sentido que a envolva e a distancie de sua banalidade e mediocridade dadas. A vida só é possível se for reinventada longe de tudo que é natural, imediato e cansativo.
Viver sem a arte é, assim, simplesmente viver. Felicitou-me muito que meu domingo tenha sido investido de um ar vindo do século XIX, frio, chuvoso que nos descansa do tropicalismo.
Hoje reli pela terceira vez A dama do mar, uma belíssima peça do dramaturgo Ibsen, o autor mais encenado na Europa do século XIX. Essa peça parece-me um drama em que todas as falas possuem um duplo sentido. A impressão que tenho é que existe sempre um duplo sentido: não me parece um drama realista, mas a máscara que acoberta a experimentação. Voltarei a isso. Depois de A casa de bonecas, Nora foi celebrada como a salvadora da sociedade, dando a Ibsen um lugar garantido na cabeceira das feministas. Haveria alguma ingenuidade nisso? Mas, poderíamos perguntar com o próprio Ibsen, o que aconteceria se Nora, ao invés do grande e sagrado sacrifício (ela é um personagem nietzscheano, um espírito livre, um espírito de afirmação) ficasse em seu lar? A resposta veio em Os espectros, em que encontramos a loucura como resultado da submissão ao marido e ao casamento já falido. Ibsen acreditava no compromisso que o indivíduo tinha com a verdade e com a sociedade. Eis a tarefa de auto-realização. Eis, inclusive, a mais importante proposição filosófica, a única que realmente vale a pena mencionar sempre: conheça-te a ti mesmo.

A composição de A dama do mar agrada-me pela leveza, não apenas no pensamento e na descrição das imagens e das cenas, mas na composição de cada frase. Fiquei feliz ao reler e, como das outras vezes, lembrei-me da poetiza russa, na verdade mais alemã do que russa, Lou-Andréas Salomé. Lou é talvez a grande heroína da virada para o século XX. Nietzsche escreveu a ela: "trago comigo algumas coisas que não se podem ler em meus livros e para isso procuro a terra mais bela e mais fecunda". A paixão de Nietzsche experimentará o poder misterioso da mulher: "tive de silenciar porque falar de você me teria derrubado cada vez". A relação entre os dois é uma página importante para compreender forças poderosas. Ela escreveu: "Em alguma profundeza oculta de nossa natureza, estamos inteiramente distanciados um do outro. Na sua natureza, como numa velha fortaleza, Nietzsche tem muitos calabouços escuros e porões escondidos que não são percebidos num encontro superficial, mas que podem conter o mais pessoal dele. Estranho, recentemente me ocorreu, com súbita intensidade, que alguma vez poderemos até nos defrontar como inimigos." Os dois se distanciarão definitivamente. Parece que o impacto da separação marcará um caminho (deliberado?) de solidão. Nietzsche tornar-se-á um ermitão. Ela demonstrou-se mais forte do que ele, mais livre, mais leve, mais independente. Ele vagará solitário pelo mundo: sobretudo pelas cidades italianas. Ela tornar-se-á o que ele vislumbrou em seu pensamento: um espírito livre.

O que mais me chamou a atenção em Elida foi a compreensão de que havia uma necessidade de independência para afirmar a sua escolha livre. Renunciar ao casamento, pedir o divórcio para realmente escolher livremente. Eis a grandeza de Elida. Pouco importa o que ela escolherá: o misterioso estrangeiro, que atrai e apavora, que seduz pela proximidade, pela distância, pela ameaça que propõe a quebra da banalidade, ou a singela descoberta de que a amor pode se dar pela tranqüilidade, pela descoberta da simplicidade que revela um sentimento que, longe da grandeza poética, pode ser verdadeiro na banalidade do dia-a-dia. Pouco importa tudo isso. O que importa, o que devemos aprender com a dama do mar, é que o desejo deve ser afirmado a cada dia. A independência é a única possibilidade de afirmação do desejo.

Teria Elida renunciado ao seu desejo? A afirmação de que a liberdade é imprescindível para a escolha, isso me pareceu a mais difícil de todas as afirmações. Lou-Andreas Salomé representa a possibilidade de mudança. E Elida? Não representa a mesma coisa? Ou estaria a mudança apenas na aceitação do estrangeiro? Elida descobre, ao meu ver, que a grande mudança está em quebrar seus laços com o passado, com o sublime que a ameaça no presente. Ela nunca mais será a mesma: se se esconde um retorno à civilização em sua escolha, parece-me uma afirmação interessante, mas ela não pode nos deixar cegos para o outro ponto de vista: Elida descobriu a simplicidade do amor, não como a aceitação do grandioso, do sublime, mas como a novidade possível da afirmação de seu destino. Ela aceitou a sua vida, e isso é a grande mudança que a tornará uma grande mulher. Acredito, assim, que conseguimos ver coisas diferentes e importantes em nossas leituras. A negação do desejo? A afirmação do desejo? Numa palavra eu diria, a independência de espírito. É tudo.

Alexandre H. Reis

Vita - breves pensamentos sobre a vida e a morte


por Ramon Maia


Não seria impertinente dizer que o livro apresentado aqui por Alexandre Reis nos remete a um certa noção de sujeito. De alguma forma, pelo seu caráter aforismático logo nos lembraria os moralistas franceses como La Rochefoucauld. Contudo, a
subjetividade que o texto de Alexandre propõe não está propriamente na trama do livro, não é algo pressuposto, senão que deverá ser construída pelo próprio leitor. Pensemos na resenha crítica que Sérgio Buarque de Holanda e Prudente de
Moraes Neto fazem de Memórias Sentimentais de João Miramar ao afirmarem sobre o referido romance oswaldiano que a construção do enredo se faz no espírito do leitor.
A gravitação estilística do livro de Alexandre Reis é moderna, para não dizer modernista. Lança mão deuma fina ironia e um certo humor, sem os quais os breves pensamentos sobre a vida e a morte perderiam sua eficácia. A oscilação entre uma delgada angústia e linhagens de um estilo sardônico ganha força com o espírito de fragmentação. Alexandre abre mão do sistema para tecer lineamentos sobre parcelas da vida e, na verdade, as questões propostas são repostas ao leitor que deverá juntar as peças de um quebracabeças infinito.

Casa velha

Casa velha
esta é a casa que meus pais moraram no início dos anos 60

Cabela de Homem

Cabela de Homem
esta é prima da minha obra. Eu a concebi numa noite em que a lua estava tão amarela que parecia o Sol... ela é filha da noite... sem lâmpadas.

Josemar

Josemar
Este é o josemar, escultura em argila. A miniatura em sua testa fiz somente para a fotografia, com macinha de modelar

Figueira

Figueira
pintado por mim em 05/01/2007

O cinturião de Rembrandt

O cinturião de Rembrandt
eis o guardião de minha morada

detalhe

detalhe

Cacilda

Cacilda
produzi esta escultura em 2000